Publicado em / by Marta Reis / Em Tendências

Como é que passámos do Tiki-Taka para o Tik-Tok?

Parecem duas brincadeiras de crianças, mas na verdade não é bem assim: se por um lado o Tiki-Taka acabava por entusiasmar os adeptos que estavam na bancada, o Tik-Tok acaba por ser a forma mais simples de os manter ligados ao clube como se estivessem não só no estádio, mas até no balneário. Confuso?

O Tiki-Taka é um sistema tático muito utilizado principalmente pelo FC Barcelona, que encontrou o seu expoente nas épocas em que Pep Guardiola era o líder da equipa. Claro que este sucesso aconteceu também devido a alguns nomes incontornáveis da história blaugrana mais recente, como é o caso de Xavi, Iniesta ou Messi, só para nomear alguns. Mas estes jogadores têm todos uma coisa em comum (spoiler alert: não, não é apenas a qualidade tática) – os três são, apesar de fisicamente menos potentes (nenhum foge muito ao metro e setenta), de uma capacidade técnica estrondosa, à qual se aliava uma grande competência na leitura do jogo.

Mas, deixando os rodriguinhos de parte, no que é se baseia o Tiki-Taka? Unicamente na troca de bola rápida, mas mantendo a posse da mesma durante o maior tempo. Basicamente, através de passes curtos – e de muita paciência – a equipa culé fazia chegar o esférico à outra ponta do campo, passando o mesmo praticamente pelos pés toda a equipa.

E o Tik-Tok?

O Tik-Tok é uma aplicação onde podemos partilhar vídeos curtos, mas aproveitando sempre a criatividade das pessoas para chegar a um objetivo: partilhar momentos divertidos e diferentes com os nossos amigos (agora percebe-se a ligação com o Tiki-Taka, que deixava os adeptos do FC Barcelona em êxtase através do quê? Exato, passes curtos!). Apesar de estar mais virado para a nova geração – a chamada Geração Z – é certo que com tanto tempo livre, muita gente viu no Tik-Tok uma forma de passar o tempo, abrangendo então um público cada vez maior.

Nesta altura, o futebol é o menor dos nossos problemas. No entanto, milhões de adeptos continuam ligados às redes sociais dos seus clubes favoritos de forma a apaziguar a ânsia de ver a bola rolar. Se o Instagram ou o Facebook relembram golos fantásticos e momentos inesquecíveis, o Tik-Tok mostra os bastidores, os balneários e as brincadeiras que há entre jogadores e nem sempre passam cá para fora. Sem efeitos, sem grandes produções. Tudo natural, em bruto, apenas com uma boa música e uma noção clara: os jogadores são como nós, brincam com os colegas como nós brincamos e mostram que, apesar de os vermos totalmente concentrados quando toca o hino da Champions (que arrepia qualquer um), há também momentos de descontração que podem – e devem – passar cá para fora, nem que seja para ter aquele elo humano que os une aos seus adeptos, tal como, por exemplo, para os desafiar para um Challenge. Ainda não percebeu a ligação?

A grande conclusão é…

Criatividade, criatividade, criatividade. Tanto o Tiki-Taka como o Tik-Tok têm uma capacidade imensa no que respeita a mostrar os laivos de criatividade. Se por um lado, é desafiante estar constantemente a pensar em novas soluções de jogar, em abrir novos espaços para progredir em campo, por outro é igualmente tentador saber de que forma se pode ocupar um novo espaço na rede dos adeptos, chegar a novos mercados e/ou públicos, mantendo sempre a naturalidade da equipa. Afinal, o entretenimento proporcionado pelos clubes pode também passar para o digital, mesmo em tempos de pandemia.

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